O Céu de Coimbra

A Prayer

Abril 30, 2008 · 1 Comment

YAHWEH

Take these shoes
Click clacking down some dead end street
Take these shoes
And make them fit
Take this shirt
Polyester white trash made in nowhere
Take this shirt
And make it clean, clean
Take this soul
Stranded in some skin and bones
Take this soul
And make it sing

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Take these hands
Teach them what to carry
Take these hands
Don’t make a fist
Take this mouth
So quick to criticise
Take this mouth
Give it a kiss

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Still waiting for the dawn, the sun is coming up
The sun is coming up on the ocean
This love is like a drop in the ocean
This love is like a drop in the ocean

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, tell me now
Why the dark before the dawn?

Take this city
A city should be shining on a hill
Take this city
If it be your will
What no man can own, no man can take
Take this heart
Take this heart
Take this heart
And make it break

 

U2 (in How to dismantle an atomic bomb)

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Minhas Primeiras Viagens - Parte 1

Abril 25, 2008 · 3 Comments

Esta semana voltei de vez pra Coimbra, depois de dois finais de semana de viagens. E só quero adiantar que tudo correu bem e que as coisas foram muito boas.

Visitei Lisboa e Madrid. Algo que já vinha sendo planejado há algum tempo. Com a presença de uma ilustre visitante do Brasil, não tinha como ficar aqui em Coimbra o tempo todo, então, carreguei a mochila, coloquei nas costas e parti para a aventura.

Primeira parada: Lisboa. Uma vez que a amiga chegaria pelo aeroporto de lá, nada mais óbvio do que conhecer de uma vez a capital do país em que atualmente (e temporariamente, devo frisar) vivo.

Foi uma viagem e tanto. Depois de ir à aula e almoçar, peguei o ônibus na super rodoviária daqui e cheguei a Lisboa pouco mais de duas horas depois. Chegando ao albergue, tive a primeira surpresa: o endereço que tinha era de um prédio residencial. Como assim? Deu um medo de repente, do tipo, “Cara, caímos em um golpe, vamos ter que sair procurando onde ficar de mochila nas costas”. Mas então, descobri que não. Entrei e vi que o albergue era bem simples, mas não sofri nenhum golpe.

De ali em diante era só andar, andar e andar para conhecer Lisboa. Uma cidade grande, finalmente! Eu já estava com saudades de centros urbanos: asfalto, metrô e fumaça. Fiz quase tudo a pé.

Em um dia, fui a Cintra, uma cidadezinha nos arredores, onde pode-se visitar castelos e museus. Peguei o comboio bem cedo. Só entrei no Castelo dos Mouros. É tipo uma fortaleza. Com uma grande muralha que lembra muito as coisas que vi nos filmes, tipo Senhor dos Anéis. No outro dia, andei pela cidade, conhecendo o Castelo de São Jorge, que também é da época dos mouros, e fica perto de um mirante lindíssimo. E fui ao Parque das Nações, um lugar enorme, onde ficam o Oceanário, um teleférico e um centro de convenções. Ali também estava sendo realizada uma corrida de bicicleta. Fizemos piquenique por lá, pagamos todos os micos possíveis e voltamos pro albergue mais do que cansadas. A ponto de furar com um conhecido que nos levaria a um bairro bem famoso de Lisboa.

No meu último dia ali, não existia a menor possibilidade de não ir até Belém. Em minha opinião, principalmente para comer os famosos pastéis. Aqui em Portugal, existem muitos pastéis de nata, mas Pastel de Belém só se faz em Belém, e a pastelaria fica super lotada sempre.

A melhor coisa pra mim foi chegar a Belém, entrar no Mosteiro dos Jerónimos e ter quase uma experiência espiritual. Ali estão enterrados Vasco da Gama, Luís de Camões e Fernando Pessoa, mas não é isso que impressiona. O mais incrível é entrar no claustro do mosteiro e ver uma construção daquele porte. Eu nunca vi um claustro mais bonito. E duvido que ainda veja algum. Fiquei uns quinze minutos sentada, apenas absorvendo aquilo tudo. Foi uma coisa tão linda, tão maravilhosa, que eu não quero esquecer jamais. A tal Torre de Belém ficou sem brilho nenhum depois disso. Não sei se foi só a beleza do lugar, a imagem (na minha mente) de monges meditando por ali, ou a surpresa que tornou este lugar tão especial pra mim. Mas ele se tornou e pronto.

Depois disso tudo, fechar a manhã com um Pastel de Belém foi muito bom. Não dá nem pra explicar como é esse doce. Só comendo. Pra dar uma idéia, devo dizer que a Pastelaria produz e vende em torno de 30 mil pastéis por dia. Isso mesmo! Eu não disse trezentos, eu não disse mil. Eu disse 30.000 pastéis. Eu comi dois. Mas poderia ter comido 10. E se não fosse voltar pra Coimbra de ônibus teria comprado pra trazer. Meu conselho a todos que vierem a Portugal: Comam o Pastel de Belém.

A volta pra casa foi tranqüila, e a chegada a casa foi feliz. Bom estar aqui de novo, na minha cama, na cidade que é minha durante estes meses na Europa. Bom vir conversando com a Marga no ônibus, como nos velhos tempos. Bom tê-la aqui estes dias.

Beijos!

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Mudei-me

Abril 7, 2008 · 8 Comments

Ontem completou uma semana desde que eu estou morando em meu novo quarto, em uma nova casa. Fico satisfeita em poder dizer que estou até gostando de morar aqui. A princípio, fiquei muito apreensiva quanto a esta mudança. Não gostava da idéia de vir pra cá. Então, posso agradecer a Deus porque as coisas vão indo bem.

Tudo aconteceu muito depressa pra esta mudança. Senti-me sendo arrastada pela situação, e talvez por isso eu tenha ficado desconfiada. Enquanto morava no outro apê estava procurando um lugar que fosse mais perto, ou oferecesse outras condições das que tínhamos por lá. Queria internet, companhia, localização perto do centro. Alguma destas coisas, ou todas.

Numa segunda feira eu fui ver um quarto que supostamente era perto do outro onde eu estava. Não seria perto do centro, mas havia lá suas vantagens. Neste dia, conheci um espanhol piradinho. Resolvemos não mudar para lá devido à distância. No dia seguinte, esbarrei com o espanhol na rua, ele me disse que tinha um quarto vagando na casa dele, e que era ótimo morar ali. Na quinta feira eu já estava fechando com a senhoria da casa. E na sexta Maira se mudou provisoriamente enquanto eu fui ao Mais que Música, e no domingo, trouxemos todas as nossas tralhas pra cá de vez, e fui dormir bem tarde arrumando tudo.

A casa em que hoje vivo é bem diferente da anterior. Moramos em frente à Sé Velha, uma igreja centenária, e ouvimos um sino tocar a cada 15 minutos. Não estamos mais sozinhas. Ao contrário, aqui é mais ou menos como uma república, há mais quase trinta pessoas – entre meninos e meninas – e dividimos a cozinha e os banheiros. Agora levo, literalmente, um minuto e meio andando até a faculdade, caminho que era feito pra cima em 30 minutos antes. Continuo sem muitos amigos portugueses, apesar de haver alguns que moram aqui. As relações acontecem mais com brasileiros e outros estrangeiros. Há aqui também um terraço muito bom onde as meninas pegam sol, estendemos as roupas e pelo que sei, às vezes rolam uns churrascos.

Quando eu decidi fazer este intercâmbio, não idealizei este tipo de moradia. No início pensei em morar em uma suíte no dormitório da faculdade. Ao mudar este plano, imaginei que dividiria um quarto com a Maíra em um apê com talvez mais umas duas ou três meninas. Não mais do que isso. Não trinta; e, certamente, não com meninos. Mas os planos mudam, as coisas acontecem e a gente acaba se adaptando a isso. E como eu acredito que todas as coisas cooperam para o propósito de Deus na minha vida. Vi, aceitei e estou vivendo mais este desafio. No primeiro dia aqui, quando ainda me sentia apreensiva, Deus me deu uma palavra muito forte, Ele me disse que ninguém acende uma lanterna e coloca em baixo da cama, mas sim em um lugar de destaque onde possa iluminar o máximo possível (Mc 4:21). Se eu vivo pra ser luz, talvez seja bom estar no meio de mais gente. E é assim que eu resolvi encarar este tempo nesta casa: como uma oportunidade de ser luz para as pessoas com quem em conviver aqui.

Assim, depois de uma semana, posso dizer que gosto muito deste lugar. Gosto de tomar chá a noite e bater um papo com o povo aqui de casa. Gosto de poder falar com o meu pessoal do Brasil pelo skype. Gosto de não precisar mais pegar o ônibus pra nada. Gosto de acordar praticamente na hora da aula. Gosto de estar perto do Mondego. Gosto de ouvir o espanhol maluco gritando pra gente do terraço. Claro que há coisas que ainda estranho (como dividir banheiro, geladeira e cozinha), mas estas não conseguem  fazer com que morar aqui seja uma algo penoso.

 

Beijos!

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All Other Ground is Sinking Sand

Abril 3, 2008 · 9 Comments

Enquanto preparo este post me encontro no que talvez seja o meu lugar preferido para estar em Coimbra. Desci até o Mondego para estudar. Ele já está se tornando um bom amigo. Domingo pela manhã posso meditar às suas margens antes do culto na Igreja; nas tardes ensolaradas posso vir até ele me aquecer (o corpo ao Sol, e a alma às palavras).

Hoje estão quase 20 graus à sombra, uns 18 provavelmente, e aqui acredito que esteja ainda mais quente, porém o sopro do rio me refresca do calor (pois visto calças jeans e manga comprida) Não há uma só nuvem no céu. Pergunto-me se a Primavera finalmente chegou.

Minha leitura está sendo embalada pelo som de gaitas de foiley vindo do Irish Pub que fica atrás de onde estou. Agora ouço ainda duas estudantes cariocas tagarelando – o que é até um pouco incomodo, mas não o suficiente para roubar a minha paz.

À minha frente, meu amigo corre tranqüilo e bem acompanhado. É engraçado, quando cheguei aqui, há pouco mais de um mês, não se viam patos no rio. Talvez um ou outro. Agora, no entanto, há já muitos. Daqueles patos verdes e marrons que eu só havia visto antes nos filmes.

Todas as semanas, todos os dias – todo o tempo – acontecem coisas inacreditáveis pra mim e comigo. No último final de semana fui a um Congresso chamado “Mais que Música” com Delirious? e Hillsong London. Nunca passara pela minha cabeça que iria a algo assim enquanto estivesse aqui em Portugal. E estava bem cheio. E mais uma vez Deus me mostra Sua Onipresença, apesar de toda a idéia que fazemos no Brasil sobre o cristianismo na Europa.

Tive saudades do meu povo: da minha irmã, minha família (a do coração). Compartilhar com outras pessoas estes momentos é estranho demais pra mim. Fiquei quase melancólica. Aliás, tudo aqui é estranho pra mim. Tudo é novidade, é diferente. Tudo prova o meu coração, os meus desejos. Pra que vim. Ou melhor, pra quem vivo. As experiências são daquele tipo que a gente não consegue tirar da cabeça. Ter que tomar decisões, agir por conta própria, falar como e o que quiser. Enfim, cada dia neste ultimo mês e alguns dias tem sido um aprendizado. E não só isso, é um choque, um confronto com o que penso e quem sou.

Sinto saudades desta família, mas nada que me apavore. Penso que pela primeira vez estou vivendo Deus e pronto. Sem desculpas. Leio a Bíblia porque quero estar mais perto de Deus, ouvi-Lo e obedecê-Lo, não porque o Marco mandou fazer alguma coisa. Oro porque o meu coração deseja se comunicar com o Pai. Sou Luz porque é o meu chamado, não porque há alguém me vigiando. Deus é o meu vigia, ou melhor, minha sentinela, meu guarda.

Ao contrário do que muitos pensam desejo voltar para casa, não quero ficar aqui para sempre. Dia 16 de agosto estou de volta. É a esperança que me faz ir pra frente. Saber que aqueles que amo me aguardam e sabem que penso neles todos os dias. Estou amando este lugar, não me entendam mal. Gosto de cada pedrinha do chão de Coimbra. Hoje descobri um novo caminho para casa. E isso não é uma metáfora, apesar de cair muito bem. Subi por uma ruazinha e vim parar em frente ao meu prédio, praticamente. Mas, também descobri um novo caminho pra casa, um caminho que está no meu coração, que me une ao Brasil, à família e a Deus independente de onde eu esteja.

Vai dar uma hora da manhã e eu preciso muito dormir. Amanhã tenho aulas. Queria escrever o resto da noite, mas não posso. O coração fica apesar de o corpo ir deitar.

 

Um beijo! 

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Foi assim, como ver o mar…

Março 20, 2008 · 8 Comments

Esta semana aqui em Coimbra são as férias de Páscoa. Isso mesmo, por mais bizarro e folgado que possa parecer, na semana santa não têm aulas desde segunda feira. Ou seja, a cidade vai esvaziando. Desde sexta feira passada os estudantes vão indo pra suas casas, ou fazendo viagens mais longas, pois são uns 10 dias de folga.

Uma parte das poucas pessoas que conheço foi para o Marrocos. Outra parte, para a Espanha, e outra, ainda, voltou pra casa. No final ficamos apenas Maíra e eu aqui em Coimbra.

Porém, aquilo que prometia ser uma semana tediosa e deprimente, se tornou em algo inesquecível.  

Depois de muito procurar o que fazer, resolvemos que iríamos passar um dia na Serra da Estrela, que é o lugar mais alto de Portugal. Todo o dia sai um ônibus aqui de Coimbra para uma cidadezinha chamada Seia. Assim, combinamos com uma conhecida nossa da Uerj.

A Serra da Estrela não é só o ponto mais alto de Portugal, é também o único lugar onde neva no inverno. São 1900 m de altitude. Porém, segundo sabíamos, a neve já não caía há um tempo, e o pouco que tinha já devia estar derretendo. Junte às boas expectativas para o nosso passeio uma segunda-feira com chuva no país inteiro.

Mesmo assim, resolvemos arriscar. Afinal, quem não arrisca não petisca. E não queríamos passar a semana inteira aqui sem quase nada para fazer. Logo, na terça pela manhã acordei bem cedo, tomei banho e café da manhã, e me dirigi à “super” rodoviária local, a fim de entrar no ônibus para Seia às 09h30min. (Detalhes interessantes: a rodoviária de Coimbra tem dois guichês de venda de passagens e  seus 8 ‘portões’ de embarque, unidos dão menos que 100 metros de comprimento)

A viagem até Seia foi de menos de duas horas, os vilarejos que vi no caminho eram muito fofinhos. Tive pena da Maíra, que enjoou um bocado do meu lado. E também tive medo que ela vomitasse em cima de mim. Lá chegando, o Sol estava bem forte, mas fazia um frio danado. Na Serra faz 8 graus a menos do que aqui embaixo.

Depois de ir às informações turísticas, pegamos um taxi a fim de subir a Serra e ver se a neve estaria por lá. E não é que ela estava? Eu já tinha orado o dia anterior inteirinho pra que nevasse; e tinha ido orando a viagem toda pra ver nem que fosse um pouquinho. Conforme o carro subia, os topos das montanhas iam aparecendo com manchas brancas. Então, de repente, pela beira da estrada, era ela. A neve. O pobre do taxista, que, aliás, era um homem muito gentil e simpático, teve que parar no acostamento para que as três brasileiras malucas pudessem sair correndo pela neve jogando-a pra alto, umas nas outras e fizessem outras esquisitices que só fazem aqueles que nunca a viram antes.

Após uns 20 minutos de frenesi na beira da estrada, seguimos até a Estância de Esqui Vodafone, na Torre, onde havia muitas outras pessoas - entre adultos, jovens e crianças – a se divertirem muito, muito mesmo, com a neve. Gente descendo de trenó, gente correndo, gente andando de teleférico. Nós nos decidimos pelo teleférico. E lá fui eu para minha primeira aventura branca e congelante.  

Nesse ponto, já tinha começado a nevar um pouquinho. Pequenos flocos brancos iam se deitando em meu chapéu preto. E em meu casaco. Coisa mais linda. Deus, além de fazer nevar durante a noite, ainda me permitia ter a experiência de ter a neve caindo em mim. Fofo! Foi como se Ele estivesse me dizendo: “Vê filha, não só eu te trouxe até o outro lado do Atlântico, como também realizo até o desejo que parece tolo aos seus olhos”. Porque, a verdade é que, depois de estar aqui na Europa por seis meses, tudo o que me vier é lucro.  Nesta hora eu chorei. De agradecimento. Pela minha vida, pela minha família que me proporcionou estar aqui, e por tudo que Deus é e muitas vezes eu nem percebo.

No fim, a grande aventura nem foi o teleférico. Ô troço devagar! Leva meia hora de viagem numa velocidade de formiguinha. RS. Mas foi todo o frio que passamos lá em cima. O tempo todo mexendo os dedos para que não congelassem. E quando já íamos voltando, a neve foi caindo cada vez mais forte, enchendo nossas roupas e cabelos, e impedindo a visão. Era tudo branco. Depois disso, entramos no taxi de volta a Seia. Mais aventura aí, pois a estrada já estava bem escorregadia. Enfim, chegamos sãs e salvas na cidade.

À noite, conversando com minha irmã sobre isso, ela disse: ‘Será que ver a neve é como ver o mar?’ E isso me ficou martelando muito tempo, até acordei pensando sobre o assunto. E acredito que é sim.   Eu nunca vi o mar pela primeira vez. Sempre o conheci. Como boa carioca, o Mar faz parte da minha vida desde sempre. Ele é meu grande amigo e companheiro de férias. Em suas águas me refresco no verão, e sua visão traz sonhos ao coração. Um destes sonhos, o de atravessá-lo, vivo neste momento. Porém, uma outra força da natureza que eu não conhecia me encheu de emoção. É como um mar branquinho, branquinho. É um lindo branco de se ver que não acaba mais.  E também tem uma força tremenda. É mais um dos feitos magníficos de Deus. Não podemos controlar o Mar. E não podemos controlar a neve. Podemos brincar com eles, admirá-los, e chorar ao perceber o quão grandioso é um Deus que cria com suas palavras algo tão impressionante. E como pode este Deus, em toda sua magnitude, amar alguém como eu – tão pequena e impotente perto de sua criação.

Agora eu entendo o que sentem os mineiros que chegam ao Rio de Janeiro, em frente ao Mar e dizem: “Nó, mas é bonito demais, sô!”

Abraços!

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Alto Preço

Março 16, 2008 · 4 Comments

Semana passada eu fui pela primeira vez ao culto aqui em Portugal. Perto de onde moro há uma Igreja Batista. Assim, no domingo pela manhã acordei relativamente cedo (o culto começa às 11:00 hr), me arrumei e fui meditando durante os 15 minutos de caminhada até lá. Perguntava-me como seria estar tão longe de casa, participando do culto numa Igreja em que não conhecia ninguém; num país onde, muitas vezes, apesar de ser falante de mesma língua, tenho uma enorme dificuldade de entender o sotaque.

Quando entrei no templo me dei conta de que não conseguiria passar despercebida desta vez. Diferente das muitas Igrejas que já visitei no Brasil, essa era bem pequena e o pastor fica sentado atrás, enquanto outro líder dirigia o serviço. Apenas levantando para pregar e fazer o encerramento.

O grupo de louvor foi chamado à frente e, dirigido por uma brasileira, colocou-se a cantar alguns hinos. Logo no primeiro momento, eu tive certeza de que não esqueceria nunca o que viveria naquela manhã. A semana não havia sido fácil, tive uns leves atritos com minha roommate (nada demais, apenas coisas que se dão quando convivemos 24 por 7 com alguém que não é sua irmã e por isso não te conhece tão bem); havia mudado pra um quarto, mas este ainda não estava do jeito que eu queria; as aulas tinham começado; e, somado a tudo isso, estava o fato de que não conhecia praticamente ninguém aqui, salvo uns jovens do GBU, mas com os quais eu não tinha tido tempo de conversar e me enturmar suficiente.

No primeiro hino percebi o que Deus estivera tentando me falar durante toda a semana em meus momentos de oração e meditação: que não importa onde eu estivesse Ele estaria cuidando de mim e a nossa amizade vai além de tudo o que eu posso imaginar. Que Ele é grande o suficiente pra me consolar, para me auxiliar a viver em comunhão com os queridos que ficaram no Brasil, mesmo eu estando do outro lado do Atlântico.

Foi então que a moça do louvor começou a cantar outro hino. Alto Preço. Agora eu já não mais agüentaria. As lágrimas que fiquei tentando disfarçar durante o momento anterior juntaram forças e me venceram.   Eu estava ali, a quilômetros de casa, dos meus amigos, da minha família, de tudo que sempre significou pra mim segurança. Estava longe do meu porto seguro, sozinha, num lugar onde as pessoas mal entendem o que eu falo, cantando uma música linda e familiar. Percebi que na verdade, eu não estava longe de tudo. Que o Reino de Deus é ali. É aqui no meu quarto. É onde eu estiver. Onde o seu povo estiver.

E então tive a certeza de que tudo vai dar certo. De que daqui a seis meses estarei de volta ao Brasil com uma bagagem interna ainda mais pesada do que a de 30 kg que trouxe comigo. Mas esta bagagem não vai me atrapalhar a subir e trocar de trens. Ao contrário, tive certeza de que Deus me trouxe aqui por que eu sou forte o suficiente para ter esta experiência. Porque Ele quer aperfeiçoar em mim alguma coisa que, talvez, onde eu estava não deixaria. Porque Ele me ama muito, e gosta de realizar os meus sonhos. E porque, neste ano de 2008, Ele resolveu que eu iria ter oportunidade de conhecer lugares que apenas via nos filmes; estudar em uma Universidade que é mais antiga do que o meu país; criar vínculos com alguém que eu já conheço há anos e ser sal e luz; conhecer pessoas novas e viver o amor Dele com cada um que cruzar o meu caminho. 

Deus é bom. E Ele sempre tem um cuidado amoroso com seus filhos. As coisas que eu tenho vivido por aqui e ainda vou viver gravam esta bondade e amor no meu coração. Que eu possa demonstram isso andando na Luz todos os dias da minha vida.

Abraços!

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Longe de casa… há mais de uma semana…

Março 9, 2008 · 7 Comments

Finalmente acho que o primeiro post deste blog sai… A bem da verdade, eu escrevi um pequeno post em minha primeira noite em Coimbra, mas acabei  nunca publicando, e ele ficou desatualizado.

Hoje é sábado, e me encontro de pijama, debaixo do edredon escrevendo isso aqui. Não sei bem por onde começar, porque há tanta coisa que eu gostaria de contar, já vi tanta coisa nestes poucos dias em que estou cá (rs).

A boa notícia é que temos uma casa pra morar (após quase uma semana no Albergue da Juventude). Aparentemente chegamos tarde, e isso tornou a busca por um quarto bom e barato um tanto exaustiva e estressante. Agora estamos vivendo em um apê que fica na Rua do Brasil (grande ironia) e temos que andar 30 minutos ”pra cima” até chegarmos a Faculdade. Pelo preço que pagamos por ele e considerando tudo o que vimos por aí (entre quartos estranhos e preços exorbitantes), acho até que fizemos um bom negócio. A fase atual é aquele em que se gasta dinheiro com coisas de casa: precisamos de mais toalhas, e de toalhas de mesa, e de copos, e de talheres, e de um balde… Maíra está odiando a vida de dona de casa, mas pra mim tem sido indiferente.

As aulas começaram esta semana. Faremos quatro matérias. Pegamos matéria de cada ano do curso aqui, e penso que serão muito interessantes. Em geral, os professores foram bem atenciosos conosco, e conseguimos compreendê-los direitinho, apesar do sotaque. É engraçado, pois muitas vezes as pessoas aqui falam comigo e eu assinto, mas na verdade não entendi absolutamente nada.

A burocracia portuguesa continua… Depois de todo o transtorno que foi para tirar o visto no Brasil, aqui ainda há uma enorme papelada e coisas para resolver a fim de tirar a tal Permissão de Residência. Pelo menos até agora não tive que pagar por nada.

As pessoas com as quais tenho tido contato (professores, estranhos em lojas, o pessoal do albergue, e etc.) têm sido muito gentis. E penso que, em geral, os portugueses são assim. Eles gostam de descobrir que venho do Brasil. Porém, ainda não fizemos amizade por aqui. As pessoas parecem respeitar muito a privacidade de cada um, não invadem o meu espaço, por outro lado, parecem não se interessar muito por você. Junte isso à minha “adorável simpatia” e veja o resultado que dá.

A cidade de Coimbra é muito fofa. E cheira à História. Como o longe daqui são 30 minutos a pé, andei bastante, e vi muita coisa linda. É bom andar na ponte sobre o Mondego e ver uns patinhos de cabeça verde; vir pra casa pela Av. Emídio Navarro reparando no Parque e nas árvores que estão sem folha alguma – todas aguardando, como eu, o primeiro sopro de primavera. A Universidade de Coimbra, com seus 700 anos de vida é um mundo à parte, e merece um post só dela.

As liquidações que acontecem por aqui são enlouquecedoras. Eu preciso me controlar muito para não sair passando o cartão em todas as lojas cuja vitrine vejo. No entanto foi impossível resistir a: um casaquinho de moletom a € 2, 90;  uma luva a € 1, 95;  duas blusas fofas a € 0,95 e  um casaco (este eu precisava mesmo) a € 10,00.

Encerro por aqui, e espero conseguir escrever com mais freqüência contando sobre a vida que estou levando na Zooropa.

Beijos!

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