O Céu de Coimbra

Entradas do Abril 2008

A Prayer

Abril 30, 2008 · 1 Comentário

YAHWEH

Take these shoes
Click clacking down some dead end street
Take these shoes
And make them fit
Take this shirt
Polyester white trash made in nowhere
Take this shirt
And make it clean, clean
Take this soul
Stranded in some skin and bones
Take this soul
And make it sing

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Take these hands
Teach them what to carry
Take these hands
Don’t make a fist
Take this mouth
So quick to criticise
Take this mouth
Give it a kiss

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Still waiting for the dawn, the sun is coming up
The sun is coming up on the ocean
This love is like a drop in the ocean
This love is like a drop in the ocean

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, tell me now
Why the dark before the dawn?

Take this city
A city should be shining on a hill
Take this city
If it be your will
What no man can own, no man can take
Take this heart
Take this heart
Take this heart
And make it break

 

U2 (in How to dismantle an atomic bomb)

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Minhas Primeiras Viagens - Parte 1

Abril 25, 2008 · 3 Comentários

Esta semana voltei de vez pra Coimbra, depois de dois finais de semana de viagens. E só quero adiantar que tudo correu bem e que as coisas foram muito boas.

Visitei Lisboa e Madrid. Algo que já vinha sendo planejado há algum tempo. Com a presença de uma ilustre visitante do Brasil, não tinha como ficar aqui em Coimbra o tempo todo, então, carreguei a mochila, coloquei nas costas e parti para a aventura.

Primeira parada: Lisboa. Uma vez que a amiga chegaria pelo aeroporto de lá, nada mais óbvio do que conhecer de uma vez a capital do país em que atualmente (e temporariamente, devo frisar) vivo.

Foi uma viagem e tanto. Depois de ir à aula e almoçar, peguei o ônibus na super rodoviária daqui e cheguei a Lisboa pouco mais de duas horas depois. Chegando ao albergue, tive a primeira surpresa: o endereço que tinha era de um prédio residencial. Como assim? Deu um medo de repente, do tipo, “Cara, caímos em um golpe, vamos ter que sair procurando onde ficar de mochila nas costas”. Mas então, descobri que não. Entrei e vi que o albergue era bem simples, mas não sofri nenhum golpe.

De ali em diante era só andar, andar e andar para conhecer Lisboa. Uma cidade grande, finalmente! Eu já estava com saudades de centros urbanos: asfalto, metrô e fumaça. Fiz quase tudo a pé.

Em um dia, fui a Cintra, uma cidadezinha nos arredores, onde pode-se visitar castelos e museus. Peguei o comboio bem cedo. Só entrei no Castelo dos Mouros. É tipo uma fortaleza. Com uma grande muralha que lembra muito as coisas que vi nos filmes, tipo Senhor dos Anéis. No outro dia, andei pela cidade, conhecendo o Castelo de São Jorge, que também é da época dos mouros, e fica perto de um mirante lindíssimo. E fui ao Parque das Nações, um lugar enorme, onde ficam o Oceanário, um teleférico e um centro de convenções. Ali também estava sendo realizada uma corrida de bicicleta. Fizemos piquenique por lá, pagamos todos os micos possíveis e voltamos pro albergue mais do que cansadas. A ponto de furar com um conhecido que nos levaria a um bairro bem famoso de Lisboa.

No meu último dia ali, não existia a menor possibilidade de não ir até Belém. Em minha opinião, principalmente para comer os famosos pastéis. Aqui em Portugal, existem muitos pastéis de nata, mas Pastel de Belém só se faz em Belém, e a pastelaria fica super lotada sempre.

A melhor coisa pra mim foi chegar a Belém, entrar no Mosteiro dos Jerónimos e ter quase uma experiência espiritual. Ali estão enterrados Vasco da Gama, Luís de Camões e Fernando Pessoa, mas não é isso que impressiona. O mais incrível é entrar no claustro do mosteiro e ver uma construção daquele porte. Eu nunca vi um claustro mais bonito. E duvido que ainda veja algum. Fiquei uns quinze minutos sentada, apenas absorvendo aquilo tudo. Foi uma coisa tão linda, tão maravilhosa, que eu não quero esquecer jamais. A tal Torre de Belém ficou sem brilho nenhum depois disso. Não sei se foi só a beleza do lugar, a imagem (na minha mente) de monges meditando por ali, ou a surpresa que tornou este lugar tão especial pra mim. Mas ele se tornou e pronto.

Depois disso tudo, fechar a manhã com um Pastel de Belém foi muito bom. Não dá nem pra explicar como é esse doce. Só comendo. Pra dar uma idéia, devo dizer que a Pastelaria produz e vende em torno de 30 mil pastéis por dia. Isso mesmo! Eu não disse trezentos, eu não disse mil. Eu disse 30.000 pastéis. Eu comi dois. Mas poderia ter comido 10. E se não fosse voltar pra Coimbra de ônibus teria comprado pra trazer. Meu conselho a todos que vierem a Portugal: Comam o Pastel de Belém.

A volta pra casa foi tranqüila, e a chegada a casa foi feliz. Bom estar aqui de novo, na minha cama, na cidade que é minha durante estes meses na Europa. Bom vir conversando com a Marga no ônibus, como nos velhos tempos. Bom tê-la aqui estes dias.

Beijos!

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Mudei-me

Abril 7, 2008 · 8 Comentários

Ontem completou uma semana desde que eu estou morando em meu novo quarto, em uma nova casa. Fico satisfeita em poder dizer que estou até gostando de morar aqui. A princípio, fiquei muito apreensiva quanto a esta mudança. Não gostava da idéia de vir pra cá. Então, posso agradecer a Deus porque as coisas vão indo bem.

Tudo aconteceu muito depressa pra esta mudança. Senti-me sendo arrastada pela situação, e talvez por isso eu tenha ficado desconfiada. Enquanto morava no outro apê estava procurando um lugar que fosse mais perto, ou oferecesse outras condições das que tínhamos por lá. Queria internet, companhia, localização perto do centro. Alguma destas coisas, ou todas.

Numa segunda feira eu fui ver um quarto que supostamente era perto do outro onde eu estava. Não seria perto do centro, mas havia lá suas vantagens. Neste dia, conheci um espanhol piradinho. Resolvemos não mudar para lá devido à distância. No dia seguinte, esbarrei com o espanhol na rua, ele me disse que tinha um quarto vagando na casa dele, e que era ótimo morar ali. Na quinta feira eu já estava fechando com a senhoria da casa. E na sexta Maira se mudou provisoriamente enquanto eu fui ao Mais que Música, e no domingo, trouxemos todas as nossas tralhas pra cá de vez, e fui dormir bem tarde arrumando tudo.

A casa em que hoje vivo é bem diferente da anterior. Moramos em frente à Sé Velha, uma igreja centenária, e ouvimos um sino tocar a cada 15 minutos. Não estamos mais sozinhas. Ao contrário, aqui é mais ou menos como uma república, há mais quase trinta pessoas – entre meninos e meninas – e dividimos a cozinha e os banheiros. Agora levo, literalmente, um minuto e meio andando até a faculdade, caminho que era feito pra cima em 30 minutos antes. Continuo sem muitos amigos portugueses, apesar de haver alguns que moram aqui. As relações acontecem mais com brasileiros e outros estrangeiros. Há aqui também um terraço muito bom onde as meninas pegam sol, estendemos as roupas e pelo que sei, às vezes rolam uns churrascos.

Quando eu decidi fazer este intercâmbio, não idealizei este tipo de moradia. No início pensei em morar em uma suíte no dormitório da faculdade. Ao mudar este plano, imaginei que dividiria um quarto com a Maíra em um apê com talvez mais umas duas ou três meninas. Não mais do que isso. Não trinta; e, certamente, não com meninos. Mas os planos mudam, as coisas acontecem e a gente acaba se adaptando a isso. E como eu acredito que todas as coisas cooperam para o propósito de Deus na minha vida. Vi, aceitei e estou vivendo mais este desafio. No primeiro dia aqui, quando ainda me sentia apreensiva, Deus me deu uma palavra muito forte, Ele me disse que ninguém acende uma lanterna e coloca em baixo da cama, mas sim em um lugar de destaque onde possa iluminar o máximo possível (Mc 4:21). Se eu vivo pra ser luz, talvez seja bom estar no meio de mais gente. E é assim que eu resolvi encarar este tempo nesta casa: como uma oportunidade de ser luz para as pessoas com quem em conviver aqui.

Assim, depois de uma semana, posso dizer que gosto muito deste lugar. Gosto de tomar chá a noite e bater um papo com o povo aqui de casa. Gosto de poder falar com o meu pessoal do Brasil pelo skype. Gosto de não precisar mais pegar o ônibus pra nada. Gosto de acordar praticamente na hora da aula. Gosto de estar perto do Mondego. Gosto de ouvir o espanhol maluco gritando pra gente do terraço. Claro que há coisas que ainda estranho (como dividir banheiro, geladeira e cozinha), mas estas não conseguem  fazer com que morar aqui seja uma algo penoso.

 

Beijos!

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All Other Ground is Sinking Sand

Abril 3, 2008 · 9 Comentários

Enquanto preparo este post me encontro no que talvez seja o meu lugar preferido para estar em Coimbra. Desci até o Mondego para estudar. Ele já está se tornando um bom amigo. Domingo pela manhã posso meditar às suas margens antes do culto na Igreja; nas tardes ensolaradas posso vir até ele me aquecer (o corpo ao Sol, e a alma às palavras).

Hoje estão quase 20 graus à sombra, uns 18 provavelmente, e aqui acredito que esteja ainda mais quente, porém o sopro do rio me refresca do calor (pois visto calças jeans e manga comprida) Não há uma só nuvem no céu. Pergunto-me se a Primavera finalmente chegou.

Minha leitura está sendo embalada pelo som de gaitas de foiley vindo do Irish Pub que fica atrás de onde estou. Agora ouço ainda duas estudantes cariocas tagarelando – o que é até um pouco incomodo, mas não o suficiente para roubar a minha paz.

À minha frente, meu amigo corre tranqüilo e bem acompanhado. É engraçado, quando cheguei aqui, há pouco mais de um mês, não se viam patos no rio. Talvez um ou outro. Agora, no entanto, há já muitos. Daqueles patos verdes e marrons que eu só havia visto antes nos filmes.

Todas as semanas, todos os dias – todo o tempo – acontecem coisas inacreditáveis pra mim e comigo. No último final de semana fui a um Congresso chamado “Mais que Música” com Delirious? e Hillsong London. Nunca passara pela minha cabeça que iria a algo assim enquanto estivesse aqui em Portugal. E estava bem cheio. E mais uma vez Deus me mostra Sua Onipresença, apesar de toda a idéia que fazemos no Brasil sobre o cristianismo na Europa.

Tive saudades do meu povo: da minha irmã, minha família (a do coração). Compartilhar com outras pessoas estes momentos é estranho demais pra mim. Fiquei quase melancólica. Aliás, tudo aqui é estranho pra mim. Tudo é novidade, é diferente. Tudo prova o meu coração, os meus desejos. Pra que vim. Ou melhor, pra quem vivo. As experiências são daquele tipo que a gente não consegue tirar da cabeça. Ter que tomar decisões, agir por conta própria, falar como e o que quiser. Enfim, cada dia neste ultimo mês e alguns dias tem sido um aprendizado. E não só isso, é um choque, um confronto com o que penso e quem sou.

Sinto saudades desta família, mas nada que me apavore. Penso que pela primeira vez estou vivendo Deus e pronto. Sem desculpas. Leio a Bíblia porque quero estar mais perto de Deus, ouvi-Lo e obedecê-Lo, não porque o Marco mandou fazer alguma coisa. Oro porque o meu coração deseja se comunicar com o Pai. Sou Luz porque é o meu chamado, não porque há alguém me vigiando. Deus é o meu vigia, ou melhor, minha sentinela, meu guarda.

Ao contrário do que muitos pensam desejo voltar para casa, não quero ficar aqui para sempre. Dia 16 de agosto estou de volta. É a esperança que me faz ir pra frente. Saber que aqueles que amo me aguardam e sabem que penso neles todos os dias. Estou amando este lugar, não me entendam mal. Gosto de cada pedrinha do chão de Coimbra. Hoje descobri um novo caminho para casa. E isso não é uma metáfora, apesar de cair muito bem. Subi por uma ruazinha e vim parar em frente ao meu prédio, praticamente. Mas, também descobri um novo caminho pra casa, um caminho que está no meu coração, que me une ao Brasil, à família e a Deus independente de onde eu esteja.

Vai dar uma hora da manhã e eu preciso muito dormir. Amanhã tenho aulas. Queria escrever o resto da noite, mas não posso. O coração fica apesar de o corpo ir deitar.

 

Um beijo! 

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