Enquanto preparo este post me encontro no que talvez seja o meu lugar preferido para estar em Coimbra. Desci até o Mondego para estudar. Ele já está se tornando um bom amigo. Domingo pela manhã posso meditar às suas margens antes do culto na Igreja; nas tardes ensolaradas posso vir até ele me aquecer (o corpo ao Sol, e a alma às palavras).
Hoje estão quase 20 graus à sombra, uns 18 provavelmente, e aqui acredito que esteja ainda mais quente, porém o sopro do rio me refresca do calor (pois visto calças jeans e manga comprida) Não há uma só nuvem no céu. Pergunto-me se a Primavera finalmente chegou.
Minha leitura está sendo embalada pelo som de gaitas de foiley vindo do Irish Pub que fica atrás de onde estou. Agora ouço ainda duas estudantes cariocas tagarelando – o que é até um pouco incomodo, mas não o suficiente para roubar a minha paz.
À minha frente, meu amigo corre tranqüilo e bem acompanhado. É engraçado, quando cheguei aqui, há pouco mais de um mês, não se viam patos no rio. Talvez um ou outro. Agora, no entanto, há já muitos. Daqueles patos verdes e marrons que eu só havia visto antes nos filmes.
Todas as semanas, todos os dias – todo o tempo – acontecem coisas inacreditáveis pra mim e comigo. No último final de semana fui a um Congresso chamado “Mais que Música” com Delirious? e Hillsong London. Nunca passara pela minha cabeça que iria a algo assim enquanto estivesse aqui em Portugal. E estava bem cheio. E mais uma vez Deus me mostra Sua Onipresença, apesar de toda a idéia que fazemos no Brasil sobre o cristianismo na Europa.
Tive saudades do meu povo: da minha irmã, minha família (a do coração). Compartilhar com outras pessoas estes momentos é estranho demais pra mim. Fiquei quase melancólica. Aliás, tudo aqui é estranho pra mim. Tudo é novidade, é diferente. Tudo prova o meu coração, os meus desejos. Pra que vim. Ou melhor, pra quem vivo. As experiências são daquele tipo que a gente não consegue tirar da cabeça. Ter que tomar decisões, agir por conta própria, falar como e o que quiser. Enfim, cada dia neste ultimo mês e alguns dias tem sido um aprendizado. E não só isso, é um choque, um confronto com o que penso e quem sou.
Sinto saudades desta família, mas nada que me apavore. Penso que pela primeira vez estou vivendo Deus e pronto. Sem desculpas. Leio a Bíblia porque quero estar mais perto de Deus, ouvi-Lo e obedecê-Lo, não porque o Marco mandou fazer alguma coisa. Oro porque o meu coração deseja se comunicar com o Pai. Sou Luz porque é o meu chamado, não porque há alguém me vigiando. Deus é o meu vigia, ou melhor, minha sentinela, meu guarda.
Ao contrário do que muitos pensam desejo voltar para casa, não quero ficar aqui para sempre. Dia 16 de agosto estou de volta. É a esperança que me faz ir pra frente. Saber que aqueles que amo me aguardam e sabem que penso neles todos os dias. Estou amando este lugar, não me entendam mal. Gosto de cada pedrinha do chão de Coimbra. Hoje descobri um novo caminho para casa. E isso não é uma metáfora, apesar de cair muito bem. Subi por uma ruazinha e vim parar em frente ao meu prédio, praticamente. Mas, também descobri um novo caminho pra casa, um caminho que está no meu coração, que me une ao Brasil, à família e a Deus independente de onde eu esteja.
Vai dar uma hora da manhã e eu preciso muito dormir. Amanhã tenho aulas. Queria escrever o resto da noite, mas não posso. O coração fica apesar de o corpo ir deitar.
Um beijo!