Arquivo do mês: maio 2008

Minhas Primeiras Viagens – parte 2

Madrid foi espetacular!!! Para aqueles que assistiram Happy Feet, ouçam bem o sotaque do pingüim latino. Cidade bem urbana, cosmopolita, linda e com gente de todo o tipo.

Saí bem cedo de Coimbra, pois o vôo era Porto-Madrid, às 12:20. Fizemos o check-in no horário, e tudo corria bem. Então, resolvemos ir dar uma olhada no free-shop. Qual não foi a minha surpresa quando veio na minha direção uma funcionária da Ryanair avisando que o avião estava saindo, não chegaríamos a Madrid. Coisa assustadora! Começa a correria. Três meninas, de mochilão nas costas, correndo pelo aeroporto da Cidade do Porto. E a funcionária da companhia andando atrás, pagando esporro com o melhor sotaque portuga. Pede desculpas, implora, ri de nervoso, até que a atendente pega o rádio e manda o avião parar. PARAR!!! E lá vamos nós, correndo pelo meio da pista, ouvindo bronca de todos os funcionários do aeroporto. O homem levanta a bandeira, abaixa, coloca para o lado. E o avião baixa a escadinha. O comissário de bordo nos recebe como se nada estivesse acontecendo – isso é que é profissionalismo. Os outros passageiros encaram. Ri mais um pouco. Muito mais. Agora de alívio. Senta e aperta do cinto. Agradece a Deus. Uma hora depois, Madrid.

Uma viagem que começa deste jeito, já se espera que ela seja boa, não é mesmo? E foi.

O aeroporto de Madrid é um detalhe à parte. Acho que deve ser um dos maiores do mundo. Vinte minutos para andar do desembarque até a estação de metro do lugar. Em esteiras rolantes.

Madrid é linda. Gente diferente é o que há. Aqui em Portugal, as pessoas são mais conservadoras (eu sei que não parece depois da Queima, mas são sim). Em Madrid cada um se veste como quer, com cores vivas ou não, cabelo pra alto se estiver afim.

Eu andei muito pela cidade. Na verdade, só peguei o Metro do aeroporto até a casa onde ficaria, e dali pra aeroporto, na hora de voltar pra casa. O resto fiz a pé. Deste modo, pode-se ver bem a cidade, os prédios, os jardins, as pessoas, as lojas, tudo.

Lugar maravilhoso pra quem gosta de museus e centros culturais. Eu fui ao Museu do Prado, Reina Sofia, La Casa Encendida, Palácio Real, Biblioteca Nacional. Cada um destes foi um ponto especial dos dias passados ali.

La Casa Encendida é um centro cultural onde havia exposições de fotografias e internet grátis. Um ótimo lugar para passar umas horinhas. O Palácio Real é impressionante! E a sala das armaduras meu lugar favorito dali. Senti-me num set de filmagem de algum filme medieval, no melhor estilo Coração de Cavaleiro (Deus o tenha). 

O Reina Sofia é parada obrigatório – ir a Madrid e não ver o Guernica é tolice. E quando estive lá, ainda havia mais obras do Picasso, pois o Museu Picasso de Paris está em reforma, e a exposição está itinerante. A experiência com o Guernica é assustadora e marcante. Você estar a andar por um museu, quando se depara com um quadro daquele tamanho é, no mínimo inesquecível. Pena que no final da exposição, depois de duas horas ali, eu a Maíra estávamos com tanta fome que não conseguimos curtir tudo.

Devido ao Dia do Livro, a Biblioteca Nacional estava aberta para visitas guiadas, e depois de mais de uma hora na fila debaixo de chuva consegui entrar. E valeu cada minuto. Todos os livros já publicados na Espanha, sobre a Espanha e ainda mais estava ali. São dezenas de milhares. Quadros, revistas, periódicos e outros artigos. Ah, e um coquetel na entrada. Tudo de bom. 

O Museo do Prado foi o que eu mais gostei. Amei os Velasquez. Cada quadro passa uma emoção nova. E eu gostei principalmente de um chamado Cristo Crucificado. Queria seber colocar imagem nesta postagem, pois colocaria esta. É claro que ver na net, não é o mesmo que ver aquele quadro enorme, pendurado ali, tão marrom, te olhando. Mas já daria uma idéia.

Outros locais lindos e muitos bons pra conhecer e ver que eu vi foram: A Porta de Alcalá, Puerta do Sol, Plaza Mayor, a Gran Via, o Parque do Retiro. Caminha pela Gran Via, admirando cada prédio é uma experiência muito interessante.

O ponto alto no quesito culinária em Madrid, na minha humilde opinião, são os Kebabs. Sandubas turcos feitos com carne de cordeiro, alface, tomate, cebola (que eu dispensei) e um molho maravilhoso!!! Há restaurantes pela cidade inteira a espera de alguém que queira comer este sanduíche que vale por uma refeição.

Comprar em Madrid também é muito bom. Vontade de gastar todo o dinheiro do mundo – que não é meu infelizmente. Roupa, souveniers, CDs, DVDs, pashminas, palestinas, bijuterias, etc, etc, etc. El Corte Inglés, as lojas da Gran Via, El Rastro. Este último é uma feira enorme que acontece aos domingos e onde se encontra de tudo e onde os preços são bem acessíveis. MARAVILHOSO! Pena que eu tenho dinheiro limitado e mala limitada.

E para colocar a cereja no bolo, ainda assisti a um espetáculo de dança flamenca muito lindo, em um teatro também muito bonito.

Madrid, pra mim, só teve um defeito, e não foram os 5 graus que peguei por lá – totalmente despreparada, diga-se de passagem. Foi o fato de apesar de haverem dezenas de pessoas andando na rua de madrugada, às 3 da manhã, não é possível encontrar nada aberto para comer. Lamentável.

No entanto, posso dizer que esta viagem foi quase perfeita: boa companhia, bons lugares para conhecer, cidade linda, anfitriões muito gentis e hospitaleiros.

Beijos!

Queima de Fitas

Semana passada aconteceu aqui em Portugal a Queima de Fitas. E Coimbra, em se tratando do assunto, é a cidade mais tradicional, e talvez a mais importante.

Pra quem não sabe, Queima de Fitas é a principal festa anual dos estudantes por aqui. Ela marca o final do ano letivo (apesar de as aulas continuarem depois): os finalistas -formandos- queimam a fita com a cor do seu curso. Vem a família: o pai, a mãe, o irmãzinho, a vó, o papagaio, o periquito. Já os calouros, deixam de ser calouros, e passam a ter permissão para usar o traje.

Traje é uma roupa oficial que os estudantes usam em ocasiões especiais. Os homens usam terno preto; as mulheres, saia e blazer pretos; e todos usam uma capa preta por cima, no melhor estilo Harry Potter.

Tradicionalmente, as celebrações começavam na quinta feira com a serenata, mas este ano, o calendário foi modificado, e o início se deu na sexta feira, dia 02. Assim, nesta data, milhares de pessoas se dirigiram para a Sé Velha a fim de ouvir um fado.

Como eu sou “filhinha de Papai”, moro em frente à Sé Velha, e não precisei ficar em pé na multidão a fim de apreciar a cantoria. Vi tudo do terraço aqui de casa.

A loucura da Queima chega ao seu auge no domingo (antes era terça feira) com o chamado Cortejo. Isso é, uma parada de carros alegóricos que os estudantes passam meses confeccionando, cada um o do seu curso. São mais de 90 carros, todos de papel crepon. O mais impressionante desta festa é o fato de os carros passarem pela cidade distribuindo bebidas e comidas de graça. Sim, de graça! Mas para os inocentes devo esclarecer que a bebida mais presente é a cerveja, claro. São litros e litros de cerveja. Ah, e não há música. NÃO É tipo um carro trio elétrico que distribui álcool. São carros distribuindo MUITA bebida alcoólica, pessoas molhadas de cerveja e afins, muito bêbadas desde cedo até a noite, desfilando sem fundo musical. Um desastre completo.

E devo salientar que as famílias (incluindo seus pequenos) continuam presente o tempo todo. Assistindo aos jovens e muitas vezes os acompanhando na bebedeira. Quando vemos estas coisas nos filmes, não acreditamos que existe. Mas a verdade é que existe sim. E eu vi com os meus próprios olhos. É lamentável imaginar que esta é a grande despedida que se faz da faculdade por aqui, o grande momento de orgulho para os pais: verem suas meninas molhadas de cerveja, a desfilar pela cidade – que a esta altura fede a cerveja, xixi e outros fluidos corporais.

Depois do domingo, a semana acontece do outro lado do Mondego – porque Deus tem misericórdia de mim – com shows e tendas de música no parque. Então o povo fica por lá até as oito da manhã e dorme o dia seguinte inteirinho. Este ano com a presença do ilustríssimo Gabriel, o Pensador.

Tudo termina no sábado. O pessoal entra no comboio de manhã cedo, direto do parque, vai até Figueira da Foz, onde acontece o último evento oficial – a Garraiada. Que é tipo um rodeio, ou coisa que o valha, onde os estudantes têm que acertar o touro, laçar o touro, ou sei lá o quê. Em Figueira se dorme na praia, vestido em trajes – cuja capa não pode ser lavada de maneira nenhuma. Legal, né? Eu posso até me ver nesta situação…

A quem interessar possa: eu fui ao cortejo até o limite da minha paciência, e nos outros dias fiquei em casa. Porque este tipo de coisa não há cristão que agüente. Lamentei pelas meninas molhadas de cerveja; pelos rapazes caídos no chão; pelas avós que só tinham aquele momento de “orgulho” para posar pra foto; pela juventude vazio e acima de tudo, pela humanidade que em toda a sua arrogância e estupidez, cada vez se distancia mais de Deus. Aquele que, de maneira nenhuma gostou do outro domingo. Só que Ele tem mais paciência do que eu. Ele é a paciência.

Agora, fico satisfeita em dizer que a vida está a voltar ao normal por aqui: as aulas retornaram; a bagunça e o quebra-quebra de garrafas serão só as terças e quintas; e todos começam a buscar um lugar onde se possa estudar para os exames. Aleluia!