É da natureza do tempo passar
T.H. White
Faltam apenas uns dois meses e alguns dias para eu voltar para casa. Há umas duas semanas eu vivi a tal crise dos três meses. No meu caso, os três meses se tornaram um momento para uma crise um tanto quanto paradoxal.
Por um lado eu passei por muitas saudades de casa. E passo todos os dias. Saudades da família, da minha irmã, dos amigos. Saudades das aulas de pesquisa na faculdade. Saudades das comidas, dos almoços de domingo, da locadora de vídeos. Saudades do Rio de Janeiro, do centro da cidade, de Santa Teresa, de Ipanema, do Cafeína. Saudades dos meus livros, da minha cama, de todos os meus canais de TV.
O auge da minha crise foi forte. Chorei na biblioteca, passei vergonha. Quis voltar para o Brasil na mesma hora. Pegar o primeiro avião e dar um abraço na minha mãe.
Doeu, mas foi bom. Eu pude, finalmente, colocar para fora todos os sentimentos loucos que estavam em mim. As saudades, as carências, as inseguranças, os desejos, os sonhos, os medos. Enfim, todos os sentimentos e emoções que podem acumular-se em uma pessoa – se é que é possível que tudo isso fique dentro de alguém sem que esse exploda. Talvez seja por isso que eu explodi. Colocar tudo diante de Deus é a melhor coisa e se fazer. E foi o que fiz. E ouví-Lo se pronunciar sobre estes assuntos – que são bobos e delicados ao mesmo tempo – é maravilhoso!
Naquela semana pude perceber ainda mais o amor Dele por mim. E o seu cuidado em cada detalhe da minha vida.
Abrir-me com Deus e receber o seu consolo foi a melhor experiência que tive em todo este tempo em Coimbra.
Por outro lado, a crise foi de meio tempo. Comecei a perceber que esse período, essa vida, essa experiência aqui já está na sua segunda metade. E bateu uma baita nostalgia precoce. E um sentimento de urgência.
Percebi que muito em breve estarei deixando essa cidade com a qual já criei um forte vínculo afetivo. Um lugar ao qual eu já me refiro como “lá em casa”. Onde conheci pessoas diferentes e muito legais; onde aprendi muito sobre mim; onde superei minhas próprias expectativas; onde encarei muitos medos e os venci a todos; onde Deus me mostrou ainda mais o seu amor e cuidado. E onde pude ver quanto amo algumas pessoas.
A crise não me fez para de sentir saudades do Brasil, mas me fez entender que é da natureza do tempo passar. Ou seja, é preciso viver o agora sem que a saudade do ontem ou a expectativa do amanhã me impeça de aproveitar.
Então, a partir daquele momento eu comecei a viver tudo o que posso. Aproveitar os novos amigos, as coisas boas daqui, lembrando sempre que esta experiência é única. Nunca mais passarei seis meses em Coimbra com essas pessoas, com essa idade. Não mais morarei na casa da Dona Rosa, nem participarei dos jantares aqui.
Por isso quero viver cada vão momento como se fosse o último. Quero viver esta Coimbra (dos amores) enquanto posso.
Beijos saudosos em todos!
4 respostas Até agora ↓
Bruno // Junho 16, 2008 às 12:34 pm |
Eu também passei “a crise dos três meses sem a Thami”…mas vc tá voltando logo e isso é o que importa. Só da Pri ir encontrar com vc, já alivia um pouco , mesmo que não seja eu …ahahahaha. Que bom que vc está bem. Te amo muito. B
beadisciple // Junho 16, 2008 às 8:01 pm |
Mana, estou com muitas saudades, mas acho que me sinto tão feliz que você esteja tendo essa experiência tão desejada que a saudade fica menos.
Amo-te.
E é claro que estou feliz por faltar apenas um mês para a gente se ver.
Beijos
Gabriel // Junho 18, 2008 às 10:53 pm |
que legal maninha.
que bom que entendeu o melhor sobre o presente.
um beijo.
Bruno // Junho 30, 2008 às 8:37 pm |
Update, please…