Coimbra tem mais encantos na hora da despedida

Eu gosto de despedidas! Estranho falar assim, né? Mas é a mais pura verdade. E nesse ano eu tenho passado muito por este bom e velho ritual.

Quando saí no Brasil, toda a confusão e atraso no aeroporto me impediram de ter esse momento com os que ficavam. Abraços apressados, corrida para o embarque e lá estava eu, meio entorpecida rumo ao desconhecido.  Ao chegar a Portugal, sentada na estação de trem de Lisboa, o entorpecimento começando a passar, percebi que só veria aqueles amados seis meses depois. A sensação de ausência foi profunda.

Hoje, quase cinco meses após àquele dia, passo por nova despedida. Há algumas semanas vejo os amigos indo embora de Coimbra – alguns a voltar para seus países, outros indo viajar (como eu) e outros, ainda, indo para seus empregos de verão.  De maneira que já passei pelo velho ritual algumas vezes. Aceno para táxis e lágrimas. Abraços, lágrimas e promessas de encontros. Risos, abraços e um sentimento estranho. Abraços, lágrimas e acenos para ônibus. Abraços, risos e mau humor. Choro retardatário.

A maior parte dos meus amigos já se foi. Ficamos apenas um pequeno grupo de remanescentes. Agradeço a Deus pelo fato de a maioria deles ser brasileira; e muitos do Rio de Janeiro.

Aliás, a maneira como Deus cuidou de tudo, me arrumou companhia durante esses meses é maravilhosa. A verdade é que eu nunca estive sozinha, mas, mesmo assim, Ele me proveu amigos que me ajudassem a sobreviver à saudade dos que deixei.

Logo chegará a minha vez de deixar Coimbra para trás. Deverei me despedir da D. Rosa, do meu quarto, da Sé Velha, do Rio Mondego. Dessa vez não serei tão corrida, pois essa despedida deverá ser mais definitiva.

O ritual dos abraços, lágrimas, promessas e risos significa muito pra mim. É um ciclo que se fecha; um tempo que termina. No entanto, como viva estou, fecho um para começar outro. Que, se Deus quiser, será igualmente – ou até mais – abençoado.

Por isso, afirmo: eu gosto de despedidas sim! Elas doem, mas fazem parte.

Beijos e até logo!

Meio Tempo

É da natureza do tempo passar

T.H. White

Faltam apenas uns dois meses e alguns dias para eu voltar para casa. Há umas duas semanas eu vivi a tal crise dos três meses.  No meu caso, os três meses se tornaram um momento para uma crise um tanto quanto paradoxal.

Por um lado eu passei por muitas saudades de casa. E passo todos os dias. Saudades da família, da minha irmã, dos amigos. Saudades das aulas de pesquisa na faculdade. Saudades das comidas, dos almoços de domingo, da locadora de vídeos. Saudades do Rio de Janeiro, do centro da cidade, de Santa Teresa, de Ipanema, do Cafeína. Saudades dos meus livros, da minha cama, de todos os meus canais de TV.

O auge da minha crise foi forte. Chorei na biblioteca, passei vergonha. Quis voltar para o Brasil na mesma hora. Pegar o primeiro avião e dar um abraço na minha mãe.

Doeu, mas foi bom. Eu pude, finalmente, colocar para fora todos os sentimentos loucos que estavam em mim. As saudades, as carências, as inseguranças, os desejos, os sonhos, os medos. Enfim, todos os sentimentos e emoções que podem acumular-se em uma pessoa – se é que é possível que tudo isso fique dentro de alguém sem que esse exploda. Talvez seja por isso que eu explodi. Colocar tudo diante de Deus é a melhor coisa e se fazer. E foi o que fiz. E ouví-Lo se pronunciar sobre estes assuntos – que são bobos e delicados ao mesmo tempo – é maravilhoso!

Naquela semana pude perceber ainda mais o amor Dele por mim. E o seu cuidado em cada detalhe da minha vida.

Abrir-me com Deus e receber o seu consolo foi a melhor experiência que tive em todo este tempo em Coimbra.

Por outro lado, a crise foi de meio tempo. Comecei a perceber que esse período, essa vida, essa experiência aqui já está na sua segunda metade. E bateu uma baita nostalgia precoce. E um sentimento de urgência.

Percebi que muito em breve estarei deixando essa cidade com a qual já criei um forte vínculo afetivo. Um lugar ao qual eu já me refiro como “lá em casa”. Onde conheci pessoas diferentes e muito legais; onde aprendi muito sobre mim; onde superei minhas próprias expectativas; onde encarei muitos medos e os venci a todos; onde Deus me mostrou ainda mais o seu amor e cuidado. E onde pude ver quanto amo algumas pessoas.

A crise não me fez para de sentir saudades do Brasil, mas me fez entender que é da natureza do tempo passar. Ou seja, é preciso viver o agora sem que a saudade do ontem ou a expectativa do amanhã me impeça de aproveitar.

Então, a partir daquele momento eu comecei a viver tudo o que posso. Aproveitar os novos amigos, as coisas boas daqui, lembrando sempre que esta experiência é única. Nunca mais passarei seis meses em Coimbra com essas pessoas, com essa idade. Não mais morarei na casa da Dona Rosa, nem participarei dos jantares aqui.

Por isso quero viver cada vão momento como se fosse o último. Quero viver esta Coimbra (dos amores) enquanto posso.

 

Beijos saudosos em todos!

 

 

Minhas Primeiras Viagens – parte 2

Madrid foi espetacular!!! Para aqueles que assistiram Happy Feet, ouçam bem o sotaque do pingüim latino. Cidade bem urbana, cosmopolita, linda e com gente de todo o tipo.

Saí bem cedo de Coimbra, pois o vôo era Porto-Madrid, às 12:20. Fizemos o check-in no horário, e tudo corria bem. Então, resolvemos ir dar uma olhada no free-shop. Qual não foi a minha surpresa quando veio na minha direção uma funcionária da Ryanair avisando que o avião estava saindo, não chegaríamos a Madrid. Coisa assustadora! Começa a correria. Três meninas, de mochilão nas costas, correndo pelo aeroporto da Cidade do Porto. E a funcionária da companhia andando atrás, pagando esporro com o melhor sotaque portuga. Pede desculpas, implora, ri de nervoso, até que a atendente pega o rádio e manda o avião parar. PARAR!!! E lá vamos nós, correndo pelo meio da pista, ouvindo bronca de todos os funcionários do aeroporto. O homem levanta a bandeira, abaixa, coloca para o lado. E o avião baixa a escadinha. O comissário de bordo nos recebe como se nada estivesse acontecendo – isso é que é profissionalismo. Os outros passageiros encaram. Ri mais um pouco. Muito mais. Agora de alívio. Senta e aperta do cinto. Agradece a Deus. Uma hora depois, Madrid.

Uma viagem que começa deste jeito, já se espera que ela seja boa, não é mesmo? E foi.

O aeroporto de Madrid é um detalhe à parte. Acho que deve ser um dos maiores do mundo. Vinte minutos para andar do desembarque até a estação de metro do lugar. Em esteiras rolantes.

Madrid é linda. Gente diferente é o que há. Aqui em Portugal, as pessoas são mais conservadoras (eu sei que não parece depois da Queima, mas são sim). Em Madrid cada um se veste como quer, com cores vivas ou não, cabelo pra alto se estiver afim.

Eu andei muito pela cidade. Na verdade, só peguei o Metro do aeroporto até a casa onde ficaria, e dali pra aeroporto, na hora de voltar pra casa. O resto fiz a pé. Deste modo, pode-se ver bem a cidade, os prédios, os jardins, as pessoas, as lojas, tudo.

Lugar maravilhoso pra quem gosta de museus e centros culturais. Eu fui ao Museu do Prado, Reina Sofia, La Casa Encendida, Palácio Real, Biblioteca Nacional. Cada um destes foi um ponto especial dos dias passados ali.

La Casa Encendida é um centro cultural onde havia exposições de fotografias e internet grátis. Um ótimo lugar para passar umas horinhas. O Palácio Real é impressionante! E a sala das armaduras meu lugar favorito dali. Senti-me num set de filmagem de algum filme medieval, no melhor estilo Coração de Cavaleiro (Deus o tenha). 

O Reina Sofia é parada obrigatório – ir a Madrid e não ver o Guernica é tolice. E quando estive lá, ainda havia mais obras do Picasso, pois o Museu Picasso de Paris está em reforma, e a exposição está itinerante. A experiência com o Guernica é assustadora e marcante. Você estar a andar por um museu, quando se depara com um quadro daquele tamanho é, no mínimo inesquecível. Pena que no final da exposição, depois de duas horas ali, eu a Maíra estávamos com tanta fome que não conseguimos curtir tudo.

Devido ao Dia do Livro, a Biblioteca Nacional estava aberta para visitas guiadas, e depois de mais de uma hora na fila debaixo de chuva consegui entrar. E valeu cada minuto. Todos os livros já publicados na Espanha, sobre a Espanha e ainda mais estava ali. São dezenas de milhares. Quadros, revistas, periódicos e outros artigos. Ah, e um coquetel na entrada. Tudo de bom. 

O Museo do Prado foi o que eu mais gostei. Amei os Velasquez. Cada quadro passa uma emoção nova. E eu gostei principalmente de um chamado Cristo Crucificado. Queria seber colocar imagem nesta postagem, pois colocaria esta. É claro que ver na net, não é o mesmo que ver aquele quadro enorme, pendurado ali, tão marrom, te olhando. Mas já daria uma idéia.

Outros locais lindos e muitos bons pra conhecer e ver que eu vi foram: A Porta de Alcalá, Puerta do Sol, Plaza Mayor, a Gran Via, o Parque do Retiro. Caminha pela Gran Via, admirando cada prédio é uma experiência muito interessante.

O ponto alto no quesito culinária em Madrid, na minha humilde opinião, são os Kebabs. Sandubas turcos feitos com carne de cordeiro, alface, tomate, cebola (que eu dispensei) e um molho maravilhoso!!! Há restaurantes pela cidade inteira a espera de alguém que queira comer este sanduíche que vale por uma refeição.

Comprar em Madrid também é muito bom. Vontade de gastar todo o dinheiro do mundo – que não é meu infelizmente. Roupa, souveniers, CDs, DVDs, pashminas, palestinas, bijuterias, etc, etc, etc. El Corte Inglés, as lojas da Gran Via, El Rastro. Este último é uma feira enorme que acontece aos domingos e onde se encontra de tudo e onde os preços são bem acessíveis. MARAVILHOSO! Pena que eu tenho dinheiro limitado e mala limitada.

E para colocar a cereja no bolo, ainda assisti a um espetáculo de dança flamenca muito lindo, em um teatro também muito bonito.

Madrid, pra mim, só teve um defeito, e não foram os 5 graus que peguei por lá – totalmente despreparada, diga-se de passagem. Foi o fato de apesar de haverem dezenas de pessoas andando na rua de madrugada, às 3 da manhã, não é possível encontrar nada aberto para comer. Lamentável.

No entanto, posso dizer que esta viagem foi quase perfeita: boa companhia, bons lugares para conhecer, cidade linda, anfitriões muito gentis e hospitaleiros.

Beijos!

Queima de Fitas

Semana passada aconteceu aqui em Portugal a Queima de Fitas. E Coimbra, em se tratando do assunto, é a cidade mais tradicional, e talvez a mais importante.

Pra quem não sabe, Queima de Fitas é a principal festa anual dos estudantes por aqui. Ela marca o final do ano letivo (apesar de as aulas continuarem depois): os finalistas -formandos- queimam a fita com a cor do seu curso. Vem a família: o pai, a mãe, o irmãzinho, a vó, o papagaio, o periquito. Já os calouros, deixam de ser calouros, e passam a ter permissão para usar o traje.

Traje é uma roupa oficial que os estudantes usam em ocasiões especiais. Os homens usam terno preto; as mulheres, saia e blazer pretos; e todos usam uma capa preta por cima, no melhor estilo Harry Potter.

Tradicionalmente, as celebrações começavam na quinta feira com a serenata, mas este ano, o calendário foi modificado, e o início se deu na sexta feira, dia 02. Assim, nesta data, milhares de pessoas se dirigiram para a Sé Velha a fim de ouvir um fado.

Como eu sou “filhinha de Papai”, moro em frente à Sé Velha, e não precisei ficar em pé na multidão a fim de apreciar a cantoria. Vi tudo do terraço aqui de casa.

A loucura da Queima chega ao seu auge no domingo (antes era terça feira) com o chamado Cortejo. Isso é, uma parada de carros alegóricos que os estudantes passam meses confeccionando, cada um o do seu curso. São mais de 90 carros, todos de papel crepon. O mais impressionante desta festa é o fato de os carros passarem pela cidade distribuindo bebidas e comidas de graça. Sim, de graça! Mas para os inocentes devo esclarecer que a bebida mais presente é a cerveja, claro. São litros e litros de cerveja. Ah, e não há música. NÃO É tipo um carro trio elétrico que distribui álcool. São carros distribuindo MUITA bebida alcoólica, pessoas molhadas de cerveja e afins, muito bêbadas desde cedo até a noite, desfilando sem fundo musical. Um desastre completo.

E devo salientar que as famílias (incluindo seus pequenos) continuam presente o tempo todo. Assistindo aos jovens e muitas vezes os acompanhando na bebedeira. Quando vemos estas coisas nos filmes, não acreditamos que existe. Mas a verdade é que existe sim. E eu vi com os meus próprios olhos. É lamentável imaginar que esta é a grande despedida que se faz da faculdade por aqui, o grande momento de orgulho para os pais: verem suas meninas molhadas de cerveja, a desfilar pela cidade – que a esta altura fede a cerveja, xixi e outros fluidos corporais.

Depois do domingo, a semana acontece do outro lado do Mondego – porque Deus tem misericórdia de mim – com shows e tendas de música no parque. Então o povo fica por lá até as oito da manhã e dorme o dia seguinte inteirinho. Este ano com a presença do ilustríssimo Gabriel, o Pensador.

Tudo termina no sábado. O pessoal entra no comboio de manhã cedo, direto do parque, vai até Figueira da Foz, onde acontece o último evento oficial – a Garraiada. Que é tipo um rodeio, ou coisa que o valha, onde os estudantes têm que acertar o touro, laçar o touro, ou sei lá o quê. Em Figueira se dorme na praia, vestido em trajes – cuja capa não pode ser lavada de maneira nenhuma. Legal, né? Eu posso até me ver nesta situação…

A quem interessar possa: eu fui ao cortejo até o limite da minha paciência, e nos outros dias fiquei em casa. Porque este tipo de coisa não há cristão que agüente. Lamentei pelas meninas molhadas de cerveja; pelos rapazes caídos no chão; pelas avós que só tinham aquele momento de “orgulho” para posar pra foto; pela juventude vazio e acima de tudo, pela humanidade que em toda a sua arrogância e estupidez, cada vez se distancia mais de Deus. Aquele que, de maneira nenhuma gostou do outro domingo. Só que Ele tem mais paciência do que eu. Ele é a paciência.

Agora, fico satisfeita em dizer que a vida está a voltar ao normal por aqui: as aulas retornaram; a bagunça e o quebra-quebra de garrafas serão só as terças e quintas; e todos começam a buscar um lugar onde se possa estudar para os exames. Aleluia!

A Prayer

YAHWEH

Take these shoes
Click clacking down some dead end street
Take these shoes
And make them fit
Take this shirt
Polyester white trash made in nowhere
Take this shirt
And make it clean, clean
Take this soul
Stranded in some skin and bones
Take this soul
And make it sing

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Take these hands
Teach them what to carry
Take these hands
Don’t make a fist
Take this mouth
So quick to criticise
Take this mouth
Give it a kiss

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, Yahweh
Still I’m waiting for the dawn

Still waiting for the dawn, the sun is coming up
The sun is coming up on the ocean
This love is like a drop in the ocean
This love is like a drop in the ocean

Yahweh, Yahweh
Always pain before a child is born
Yahweh, tell me now
Why the dark before the dawn?

Take this city
A city should be shining on a hill
Take this city
If it be your will
What no man can own, no man can take
Take this heart
Take this heart
Take this heart
And make it break

 

U2 (in How to dismantle an atomic bomb)

Minhas Primeiras Viagens – Parte 1

Esta semana voltei de vez pra Coimbra, depois de dois finais de semana de viagens. E só quero adiantar que tudo correu bem e que as coisas foram muito boas.

Visitei Lisboa e Madrid. Algo que já vinha sendo planejado há algum tempo. Com a presença de uma ilustre visitante do Brasil, não tinha como ficar aqui em Coimbra o tempo todo, então, carreguei a mochila, coloquei nas costas e parti para a aventura.

Primeira parada: Lisboa. Uma vez que a amiga chegaria pelo aeroporto de lá, nada mais óbvio do que conhecer de uma vez a capital do país em que atualmente (e temporariamente, devo frisar) vivo.

Foi uma viagem e tanto. Depois de ir à aula e almoçar, peguei o ônibus na super rodoviária daqui e cheguei a Lisboa pouco mais de duas horas depois. Chegando ao albergue, tive a primeira surpresa: o endereço que tinha era de um prédio residencial. Como assim? Deu um medo de repente, do tipo, “Cara, caímos em um golpe, vamos ter que sair procurando onde ficar de mochila nas costas”. Mas então, descobri que não. Entrei e vi que o albergue era bem simples, mas não sofri nenhum golpe.

De ali em diante era só andar, andar e andar para conhecer Lisboa. Uma cidade grande, finalmente! Eu já estava com saudades de centros urbanos: asfalto, metrô e fumaça. Fiz quase tudo a pé.

Em um dia, fui a Cintra, uma cidadezinha nos arredores, onde pode-se visitar castelos e museus. Peguei o comboio bem cedo. Só entrei no Castelo dos Mouros. É tipo uma fortaleza. Com uma grande muralha que lembra muito as coisas que vi nos filmes, tipo Senhor dos Anéis. No outro dia, andei pela cidade, conhecendo o Castelo de São Jorge, que também é da época dos mouros, e fica perto de um mirante lindíssimo. E fui ao Parque das Nações, um lugar enorme, onde ficam o Oceanário, um teleférico e um centro de convenções. Ali também estava sendo realizada uma corrida de bicicleta. Fizemos piquenique por lá, pagamos todos os micos possíveis e voltamos pro albergue mais do que cansadas. A ponto de furar com um conhecido que nos levaria a um bairro bem famoso de Lisboa.

No meu último dia ali, não existia a menor possibilidade de não ir até Belém. Em minha opinião, principalmente para comer os famosos pastéis. Aqui em Portugal, existem muitos pastéis de nata, mas Pastel de Belém só se faz em Belém, e a pastelaria fica super lotada sempre.

A melhor coisa pra mim foi chegar a Belém, entrar no Mosteiro dos Jerónimos e ter quase uma experiência espiritual. Ali estão enterrados Vasco da Gama, Luís de Camões e Fernando Pessoa, mas não é isso que impressiona. O mais incrível é entrar no claustro do mosteiro e ver uma construção daquele porte. Eu nunca vi um claustro mais bonito. E duvido que ainda veja algum. Fiquei uns quinze minutos sentada, apenas absorvendo aquilo tudo. Foi uma coisa tão linda, tão maravilhosa, que eu não quero esquecer jamais. A tal Torre de Belém ficou sem brilho nenhum depois disso. Não sei se foi só a beleza do lugar, a imagem (na minha mente) de monges meditando por ali, ou a surpresa que tornou este lugar tão especial pra mim. Mas ele se tornou e pronto.

Depois disso tudo, fechar a manhã com um Pastel de Belém foi muito bom. Não dá nem pra explicar como é esse doce. Só comendo. Pra dar uma idéia, devo dizer que a Pastelaria produz e vende em torno de 30 mil pastéis por dia. Isso mesmo! Eu não disse trezentos, eu não disse mil. Eu disse 30.000 pastéis. Eu comi dois. Mas poderia ter comido 10. E se não fosse voltar pra Coimbra de ônibus teria comprado pra trazer. Meu conselho a todos que vierem a Portugal: Comam o Pastel de Belém.

A volta pra casa foi tranqüila, e a chegada a casa foi feliz. Bom estar aqui de novo, na minha cama, na cidade que é minha durante estes meses na Europa. Bom vir conversando com a Marga no ônibus, como nos velhos tempos. Bom tê-la aqui estes dias.

Beijos!

Mudei-me

Ontem completou uma semana desde que eu estou morando em meu novo quarto, em uma nova casa. Fico satisfeita em poder dizer que estou até gostando de morar aqui. A princípio, fiquei muito apreensiva quanto a esta mudança. Não gostava da idéia de vir pra cá. Então, posso agradecer a Deus porque as coisas vão indo bem.

Tudo aconteceu muito depressa pra esta mudança. Senti-me sendo arrastada pela situação, e talvez por isso eu tenha ficado desconfiada. Enquanto morava no outro apê estava procurando um lugar que fosse mais perto, ou oferecesse outras condições das que tínhamos por lá. Queria internet, companhia, localização perto do centro. Alguma destas coisas, ou todas.

Numa segunda feira eu fui ver um quarto que supostamente era perto do outro onde eu estava. Não seria perto do centro, mas havia lá suas vantagens. Neste dia, conheci um espanhol piradinho. Resolvemos não mudar para lá devido à distância. No dia seguinte, esbarrei com o espanhol na rua, ele me disse que tinha um quarto vagando na casa dele, e que era ótimo morar ali. Na quinta feira eu já estava fechando com a senhoria da casa. E na sexta Maira se mudou provisoriamente enquanto eu fui ao Mais que Música, e no domingo, trouxemos todas as nossas tralhas pra cá de vez, e fui dormir bem tarde arrumando tudo.

A casa em que hoje vivo é bem diferente da anterior. Moramos em frente à Sé Velha, uma igreja centenária, e ouvimos um sino tocar a cada 15 minutos. Não estamos mais sozinhas. Ao contrário, aqui é mais ou menos como uma república, há mais quase trinta pessoas – entre meninos e meninas – e dividimos a cozinha e os banheiros. Agora levo, literalmente, um minuto e meio andando até a faculdade, caminho que era feito pra cima em 30 minutos antes. Continuo sem muitos amigos portugueses, apesar de haver alguns que moram aqui. As relações acontecem mais com brasileiros e outros estrangeiros. Há aqui também um terraço muito bom onde as meninas pegam sol, estendemos as roupas e pelo que sei, às vezes rolam uns churrascos.

Quando eu decidi fazer este intercâmbio, não idealizei este tipo de moradia. No início pensei em morar em uma suíte no dormitório da faculdade. Ao mudar este plano, imaginei que dividiria um quarto com a Maíra em um apê com talvez mais umas duas ou três meninas. Não mais do que isso. Não trinta; e, certamente, não com meninos. Mas os planos mudam, as coisas acontecem e a gente acaba se adaptando a isso. E como eu acredito que todas as coisas cooperam para o propósito de Deus na minha vida. Vi, aceitei e estou vivendo mais este desafio. No primeiro dia aqui, quando ainda me sentia apreensiva, Deus me deu uma palavra muito forte, Ele me disse que ninguém acende uma lanterna e coloca em baixo da cama, mas sim em um lugar de destaque onde possa iluminar o máximo possível (Mc 4:21). Se eu vivo pra ser luz, talvez seja bom estar no meio de mais gente. E é assim que eu resolvi encarar este tempo nesta casa: como uma oportunidade de ser luz para as pessoas com quem em conviver aqui.

Assim, depois de uma semana, posso dizer que gosto muito deste lugar. Gosto de tomar chá a noite e bater um papo com o povo aqui de casa. Gosto de poder falar com o meu pessoal do Brasil pelo skype. Gosto de não precisar mais pegar o ônibus pra nada. Gosto de acordar praticamente na hora da aula. Gosto de estar perto do Mondego. Gosto de ouvir o espanhol maluco gritando pra gente do terraço. Claro que há coisas que ainda estranho (como dividir banheiro, geladeira e cozinha), mas estas não conseguem  fazer com que morar aqui seja uma algo penoso.

 

Beijos!